A Vida Consagrada tem por objetivo alcançar os
Sentimentos do Filho
Os sentimentos do Filho
Amadeo Cencini
FORMAÇÃO, MINISTÉRIO E MISTÉRIO
Antes de tudo a formação é ministério, serviço fraterno oferecido, desde o início, a quem descobre um projeto sobre si vindo do alto, que não diz respeito somente a ele, mas deve ser partilhado com outros. É também mistério , ação divina que o Pai leva adiante com o poder do Espírito para moldar, naqueles que ele chama, a imagem do Filho.
É ministério que faz mediação para o mistério.
FORMAÇÃO HOJE, ENTRE PROBLEMAS E ESPERANÇAS
Aquele que é enviado pela instituição para desempenhar o ministério da formação, deve ter a capacidade de transmitir a paixão por um ideal, por meio daquelas mediações e dinamismos humanos que tornam contagiosa a santidade e exigem uma competência específica. A sua santidade consiste naquela mesma competência, ou pelo menos faz com que uma séria preparação seja sentida como um dever moral, como sabedoria do alto, como docilidade ao Espírito, como liberdade de si mesmo que liberta em função de um outro. Então ele mesmo sente a necessidade de formação e vive o serviço da formação como sua própria formação.
Essa geração não tem somente grandes problemas, como geralmente se costuma dizer, mas também grandes recursos, não conhece apenas dúvidas e incertezas, mas tem também sede de beleza e de verdade. Não é medrosa e sem idéias, está só esperando quem consiga responder à sua necessidade de orientações precisas e modelos dignos de credibilidade; não está cansada de viver, pelo contrário, não agüenta mais a mesquinhez humana que vê a sua volta.
" Somos jovens, homens e mulheres, que descobriram que ser consagrados é uma beleza que plenifica a vida. Por isso, a certeza da nossa identidade não é para nós um problema: acreditamos em nossa vocação, porque enche de felicidade e de sentido a nossa vida. A beleza que vimos, conhecemos e tocamos, queremos transmiti-la a todos." ( Mensagem final dos jovens italianos durante o 1º Congresso internacional dos (as) jovens consagrados – Roma/1997)
Os jovens querem guias corajosos que não tenham medo de pedir uma profunda conversão...e que eles mesmos estejam bem formados para essa tarefa.
"Notei como os jovens captaram o conceito da luta religiosa, luta com Deus e com os seu desígnios, luta na qual vence quem aceita se deixar derrotar, e que não deve ser confundida com a inútil luta psicológica."
Precisamos passar da preocupação exclusivamente educativa, que visa à simples auto-realização, à tensão formativa, que propõe uma forma como novidade transcendente de vida.
( Texto- 1ª parte)
MODELO DE FORMAÇÃO
O primeiro componente de qualquer projeto formativo é a definição, mais aprimorada possível, de um modelo formativo, isto é, de um projeto geral e, ao mesmo tempo, específico que expresse o objetivo que se quer alcançar, e como se pretende alcançá-lo, ou as modalidades e estratégias de intervenção.
FORMAÇÃO HOJE
Não se pode pedir a um postulante ou a um noviço o que se pede e se deve pedir a alguém que já fez os votos. E, se por acaso, postulante ou noviço tomar atitudes de professo de grande experiência e maturidade de vida, o formador deve, no mínimo duvidar da autenticidade da atitude e procurar saber se o jovem tem pulado ou "esquecido" algo que lhe é mais difícil.
As várias etapas com seus relativos passos (do postulantado ao noviciado, ou da profissão temporária à perpetua) não devem ser calculados pela certidão de nascimento ou pelos cursos freqüentados na escola ( e os títulos obtidos), mas em uma avaliação mais global de um processo de amadurecimento específico em vigor.
Se uma espiritualidade não se tornar pedagogia, não é autentica espiritualidade; se não consegue indicar um itinerário ao longo do qual todos possam fazer a experiência de Deus, não é Dom do alto concedido à comunidade dos fiéis.
É exatamente esse o atual problema da formação: todo carisma é uma verdadeira mina de sabedoria espiritual, de mística e de ascética. Mas até que ponto somos capazes de traduzir esse precioso depósito num percurso pedagógico, para que o jovem seja formado nele e possa percorrer novamente a experiência do fundador ou da fundadora? Temos certeza de que a nossa formação tem e segue um método bem preciso, isto é, " carismático", ou nos contentamos em aplicar técnicas genéricas e módulos obsoletos, continuando sem nenhum programa metodológico preciso?
"TENHAM VOCÊS MESMOS OS SENTIMENTOS QUE HAVIAM EM CRISTO JESUS"
O objetivo central do caminho formativo é a preparação para a total consagração a Deus seguindo a Cristo, a serviço da missão, enquanto o itinerário que concretamente leva a isso é o de uma "progressiva assimilação dos sentimentos de Cristo para com o Pai". (Cfe. Vita Consecrata. Exortação apostólica pós-sinodal)
Toda a ação educativa tende a criar no jovem aquela mesma disponibilidade ou aquele mesmo sentimento de amor imenso que levou o Filho a se tornar homem, a se converter num servo, humilde e obediente, livre para dar a vida por amor.
O caminho formativo é o modelo adotado pelo Filho, modelo de uma pessoa viva, dos seus sentimentos e desejos, do seu modo de viver e da sua coragem de morrer. É um modo particular de seguir Jesus, que é a maneira da kénosis, símbolo
e sinal interpretativo do existir e do morrer por amor, do não guardar nada para si com ciúme, nem mesmo o amor recebido do Pai, mas de considerar a si mesmo, em todos os sentidos, como Dom, até pensar na mesma morte como dom ou decidir-se a oferecer a vida como dom.
Homem e mulher espiritual não é quem suprimiu instintos e pulsões, movimentos do espírito e tendências interiores, mas quem permite que tudo isso seja iluminado pela luz misteriosa do Espírito.
Por um lado, então, os sentimentos revelam o lado frágil da pessoa, o que muitas vezes não passa nem pelo crivo da reflexão; por outro lado, e por isso mesmo, são a fotografia ou o teste mais verdadeiro do que o ser humano é, daquilo que tem em seu coração, do nível de profundidade da sua conversão interior. Podemos controlar as palavras e os gestos, mas não podemos nos impedir de experimentar os sentimentos, os quais nos dizem imediatamente se e até que ponto estamos nos identificando com o coração de Cristo, com a sua paixão de amor, com o seu Evangelho. (Sentimentos revelam a profundidade do ser – Reordenar para o amor)
Não é completa, tampouco evangélica, aquela formação que não chega a tocar e purificar, transformar e evangelizar não somente os valores expressamente proclamados ou os comportamentos visíveis, mas também os sentimentos, os desejos, as disposições interiores, os projetos, as simpatias, os gostos, os sonhos inconfessados, as atrações, a memória, a fantasia, os sentidos internos e externos...tudo, enfim, conforme a imagem do Filho que se imola por amor. Pelo menos como tensão ideal no jovem e, consequentemente, projeto formador.
Durante muito tempo, uma certa formação trabalhou o lado exterior da pessoa, contentou-se em solicitar novidades de gestos e de conduta, sem prestar a necessária atenção ao interior, ao coração, ao sentir profundo, também inconsciente, às motivações do agir. E, no fim, deparar-se com jovens prontos a executar ordens, ou certas ordens, mas sem paixão e, muitas vezes, inconsistentes e contraditórios.
É preciso formar o coração humano para que aprenda a amar como o coração divino.
(Texto - 2ª parte)

1 comentários:
Que lindo!
Que maravilha!Puxa! Poderei aproveitar ainda mais desta Comunidade que é um Oásis que brota de dentro do Coração do Pai.
Parabéns pelo blog!
Estarei esperando ansiosa por cada postagem.
Um grande abraço
Que Deus os abençoe
Giselle Maia
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